o buraco é mais embaixo...
estou cansado de ver o coração levando a fama de centro das paixões, vontades e sentimentos humanos... onde já se viu um órgão com tantas portinholas e um mexe-remexe sem fim ser centro de alguma coisa?... assim, acometido por um estranho sentimento de justiça (saravá!), depois de proteger o folclore venho defender o esquecido intestino... para tanto, valho-me de apenas três argumentos... vamos a eles...
argumento literário: no conto brokeback mountain da escritora annie proulx, que deu origem ao filme de mesmo nome, quando um peão se despede do outro peão por quem se apaixonara o que ele faz?... põe a mão no coração e saltita lampeiro cantando “meu namorado é um sujeito ocupado”?... cola o papelzinho de ice kiss em sua agenda com os dizeres “ele é +qd+”?... óbvio que não... o tião do wyoming é acometido por uma dor visceral no baixo ventre que o dobra em dois... dor intestinal de amor...
argumento bíblico: no hebraico, a palavra rechem que designa as vísceras é muito próxima de racham cujo significado é compadecer-se... pois bem, quem compadece tem compaixão... com paixão, é impossível não sentir frenesis, dores, friozinhos (ou calorões... depende do el niño)... e onde isso se dá?... nas vísceras... racham no rechem... trocadilho que para um judeu nunca é ocasional... (aliás, ocasional para um judeu é fechar o lojinha)...
argumento esportivo: por que discriminar o futebol para-olímpico?... ao marcarem um gol, como os manetas e os cotós poderão desenhar um coração no ar?... em relação ao intestino, tal problema não existe... basta uma das mãos para traçar um rabisco imaginário, no melhor estilo zorro, e zás!... sentimento externado ao alcance de todos...
assim, sejamos honestos... o intestino, melhor do que ninguém, representa o sentimento afetivo... às vezes, grosso; às vezes, delgado... cheio de anéis... de longo percurso... purificador... o que nos leva a uma só conclusão: o amor é mesmo uma bosta!
Escrito por doug às 01h21
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