semsumário


decifra-me ou te devoro...

odeio questionários... me parecem uma forma preguiçosa da pessoa me conhecer... oras, querem saber meu prato favorito?.... convidem-me para almoçar com vocês que digo... querem saber o que gosto de ler?... meu aniversário é no próximo mês... conto em troca de presentes... afinal, é muito mais divertido conviver com os outros e, num certo dia, descobrir que algum dos que lhe estão próximos também guarda a revistinha nº 1 do chaves... e rir disso... e lembrar dos episódios sobre acapulco... e cantar “que bonita é sua roupa”...  a surpresa é o bom da vida... e esses questionários nos tiram isso... mas, como quem pediu foi o after, com voz chorosa e com as mãozinhas postas em oração, resolvi ser misericordioso... mas, me perdoem... isso não voltará a acontecer...

 

não podendo sair do “fahrenheit 451”, que livro quererias ser?

quererias?... este questionário deve estar circulando há muito tempo na blogosfera... quem, atualmente, fala quererias?... argh... mas, vamos lá... gostaria de ser um livro grande, com muitas páginas e uma capa dura com letras em dourado... em todo começo de capítulo teria uma iluminura... papel couché e letras pequenas... tudo para que os mais afobados nem chegassem perto... assim, só os insistentes venceriam minha empáfia e arrogância e veriam quão bom seria eu... o quê?... vocês querem um título... ok... “grande sertão: veredas” (guimarães rosa) com todas aquelas nonadas... mais inflamável, impossível...  

 

já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem de ficção?

toby temple de “um estranho no espelho” (sidney sheldon)... li o livro com onze anos... meus primeiros ensinamentos sobre poder, ambição e sexo... não necessariamente nessa ordem... até contar para minha professora sobre minhas leituras de férias, pensava que sheldon era um escritor fodástico... foi triste entender que best seller pode ser uma bosta seller... depois dessa decepção, só macabéa de “a hora da estrela” (clarice lispector) me impressionou... afinal, a morte não pode ser o maior feito de alguém...

 



Escrito por doug às 13h23
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qual foi o último livro que compraste?

foram livros técnicos: “economia e sociedade” de max weber, na única tradução brasileira que vale a pena (a da editora da unb); “liberalismo político” de john rawls, livro no qual o filósofo norte-americano revê sua teoria da justiça e “leviathan” de thomas hobbes, livro comprado num sebo numa tradução perfeita publicada por uma editora espanhola... resposta super sem graça... mas está à altura da pergunta...

 

qual o último livro que leste?

“a imaginação simbólica” de gilbert durand... fala sobre a importância de certos símbolos para o conhecimento do mundo, de nós mesmos e da realidade transcendente...  

 

que livros estás a ler?

literaturisticamente, “doutor fausto” de thomas mann... mistura dualismo cartesiano, deus e diabo, estudos de theodor adorno sobre música e muito boa escrita... é livro de conta-gotas... para se ler degustando os parágrafos... prefiro lê-lo nos dias frios... espero que maio continue sendo favorável para isso... profissionaristicamente, “o império do direito” de ronald dworkin... quero ver se consigo entender o que é o direito como integridade... se é que algo pode ser íntegro nisso...  

 

que livros levarias para uma ilha deserta?

esse questionário só pode ser coisa de nerd... onde já se viu?... por que não perguntam qual das gurias da ford models eu quero levar para uma ilha deserta?... vocês não viram “lagoa azul” não?... humprf... mas, vamos lá... dividindo por categorias: 1) comics: “calvin and hobbes” (bill waterson) e “mafalda” (quino); 2) líricos: “poemas” (manuel bandeira) e todo aquele pessimismo moribundo... 3) contos: “os crimes da rua morgue” (edgar allan poe) e “noites brancas” (fiedor dostoievski); 4) romance: “o tempo e o vento”, na coleção completa, com direito a ana terra e capitão rodrigo (érico veríssimo); 5) para quando os hormônios gritarem: qualquer coisa do carlos zéfiro...   

 

a quem vais passar este testemunho e por quê?

apenas ao juiz corregedor na presença de meu advogado... oras, oras... testemunho?... que coisa mais jurídica... abstenho-me e pronto! (e olha que para eu terminar uma frase com ponto de exclamação é algo muito sério...)



Escrito por doug às 13h22
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sobre luzes e luzeiros...

hoje, eu não iria escrever... responder aos comments, sim... mas, não escrever... a segunda-feira me dá náuseas... mas, no meu giro matinal pelos blogs, tentando me pôr em dia depois de uma semana passada cheia de trabalho, deparei-me com um post de 5 de maio de meu amigo junior... e, inspirado pelo post dele, resolvi dizer algo... meio que uma resposta, meio que um obrigado... e de meio em meio, me faço inteiro em homenagens a este luzeiro das letras que se esconde entre as serras de petrópolis...    

 

 

muitas das luzes que vemos no céu são de estrelas mortas... mensagens de corpos que um dia foram radiantes por sua presença e que, hoje, são luzeiros de ausência... tenho amigos assim em minha constelação pessoal... porque amigos são também luzeiros... daqueles que, na escuridão dos dias incertos, seguramos com a mão direita trêmula e trazemos conosco, perto do peito, para que não nos sintamos só diante do perigo invisível...

 

meus amigos brilham... pena que alguns são como as estrelas do céu: luzeiros de ausência... porque tenho amigos que já não os vejo mais... amigos que conheci em finais de semana (porque não se exige tempo na feitura de amizades), amigos que habitaram minha infância, amigos que mudaram de cidade... mal sabem que ainda iluminam a escura trilha que, por teimosia, insisto em percorrer nesta selva de feras que é o mundo... guio-me por suas luzes, mesmo que sua presença já não seja sentida de há muito...

 

há também os amigos que nunca vi ou que, talvez, jamais verei... são amigos de palavras raras, diamantes iluminados que viajam anos-luz para beirar a fresta de meu casebre e me acordar nos dias frios de outono...  

 

sempre desejei muitas estrelas... hoje entendo que tantas não são necessárias... podem ser poucas, sim, bem poucas... mas que, luzindo fervorosas, presentes ou ausentes, consigam me conduzir para a claridade sem-fim... onde não haverá penumbra, mas apenas, o radiante sorriso do reencontro...



Escrito por doug às 13h14
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