explicando o inexplicável...
amigos... está na hora de vocês ficarem sabendo o porquê de meu sumiço...
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a propósito, o semsum continua na ativa... e, agora, voltará à normalidade...
Escrito por doug às 14h10
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um "eu odeio" mais poético...
odeio canetas marca-texto... não importa a cor: verde, amarelo, azul... odeio-as... e tenho pena (uma pena que beira à compaixão) de quem as usa... usar caneta marca-texto significa admitir que um determinado trecho que se lê será eternamente significante... mas, o que agora se mostra original, pode depois se afigurar uma obviedade sem fim... tarde demais... afinal, amanhã, quando fores reler o texto, teus olhos serão atraídos pelo destaque da caneta... e lerás tal destaque com uma volúpia com a qual os demais trechos não serão agraciados... lamento por ti... o amarelo manga por vezes nos desvia da sabedoria que, humilde, se esconde num cantinho, em branco e preto...
odeio caminhos cimentados de parques... não importa o traçado: circular, reto, oblíquo... odeio-os... e tenho uma pena (uma pena que beira à compaixão) de quem os usa... usar um caminho cimentado é admitir que um determinado trecho é eternamente o melhor a se percorrer... mas, o que agora se mostra célere, pode depois se afigurar de uma lentidão sem fim... tarde demais... afinal, amanhã, quando fores querer percorrer aquela estrada de terra batida em meio à grama, teus pés serão atraídos pela limpeza proporcionada pelo cimento... e percorrerás tal caminho com uma resignação satisfeita com a qual as demais estradinhas não serão agraciadas... lamento por ti... o caminho branco-oficial-de-cimento dos parques por vezes nos afasta do extraordinário que, humilde, se esconde à beira da poeira vermelha das estradinhas alternativas de chão batido...
e entre canetas marca-texto e estradinhas de cimento as pessoas se programam... se programam e se repetem... esquecendo-se de que o bom da vida é reinventar...
Escrito por doug às 13h18
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amigos de jó...
dizem que os verdadeiros amigos são conhecidos nas dificuldades... bah!... mentira das maiores... você está naquela situação deplorável e seu suposto amigo não lhe deixa um só minuto?... duvide... a natureza humana se compraz com a tragédia... acidente de carro no centro da cidade às 17 horas gera tanta comoção quanto bono vox tentando cantar “chupa toda” em salvador... isso sem dizer que a miséria do outro nos traz um de dois sentimentos: o-ainda-bem-que-não-é-comigo e sarna-escolhe-a-dedo-cachorro-vira-lata (ou deus castiga quem cedo fustiga)... portanto, se quiser chorar procure um ombro desconhecido... ele será capaz de ouvir sua história sem pedir detalhes, sem dar conselhos inúteis, sem desvendar sinais divinos... apenas o ouvirá... e você perceberá que a curiosidade do desconhecido é melhor que a investigação do falso amigo... no mais, se desejar saber quem são seus verdadeiros amigos, partilhe suas vitórias... ganhou na megasena, ligue para um deles... comprou um carro novo, convide três para passear... passou num concurso, festeje com quantos puder... e se sobrar ao menos um para gritar “urru”, “yes” ou qualquer outra variante, mesmo depois de uma semana do acontecido, pule sete ondas e agradeça a iemanjá... afinal, caminhar na alegria costuma ser um ato solitário... ou você confiava na sinceridade de sentimentos do garoto juca?
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ps: obrigado a todas as vozes embargadas, a todos os olhares lacrimejantes, aos que precisaram ver para crer, aos abraços sinceros, aos “urrus” e “yes”... essa vitória é minha e de uns poucos amigos... que por serem poucos, se desdobram em muitos!
Escrito por doug às 02h28
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chove lá fora e aqui faz tanto frio...
chega, chega... não defendo mais ninguém... acabou o encosto de madre teresa de calcutá... hoje eu vou é atacar... de vanessa da mata a jorge luís borges, eu quero tripudiar sobre todos aqueles que acreditam que tomar um banho de chuva é um ato transgressor... chego a imaginar rebeldes reais (não aqueles que usam gravatinhas e promovem sessões públicas de pisoteamento) saltitando sobre as poças d’água dando gritinhos de “ai, ai, ai, ai”... não sejam ridículos... banho de chuva não demonstra nenhuma atitude, mas sim uma postura extremamente conservadora e retrógrada... sei que vocês anseiam por meus argumentos... vamos a eles, pois...
já que vocês estão habituados, vamos à explicação mítica... desde as mais antigas eras, a chuva representa a imagem da deusa amamentando os homens mortais... entenderam?... não é um gesto erótico de sugar seios com vigor e mordiscadas... é amamentação... gesto maternal, terno e casto... assim, os que vivem se jogando em banhos de chuva demonstram uma imaturidade inconsciente irritante... e sim... espero que um trovão lhes atinja as costas para o arroto pós-mamadeira tão necessário...
além disso, vejam só... vocês conhecem alguma outra instituição que seja mais conservadora que o exército?... pois bem... todo milico é instruído a jamais usar um guarda-chuva, sob pretexto de que a natureza é amiga... caso chova pois, deve o soldadinho-cabeça-de-papel marchar normalmente se não quiser ir preso pro quartel... ora, desde quando a natureza é amiga?... pois quem manda katrina, tsunami e mosquito da dengue para perto de nós só pode ser uma figura vingativa de marca maior... que se dane a chuva... pois, de amigo assim, eu quero é distância...
por fim, abram os olhos... quem vocês acham que tem desenvolvido essa campanha: “tome banho de chuva e será liberto”?... a indústria do consumo que está doidinha para movimentar compra de novas roupas, máquinas de secar, varais, remédios anti-gripais... é uma estratégia, ingênuos leitores...
portanto, façam como eu... ao menor sinal de chuva, tranquem-se em casa, preparem um chocolate quente e tomem um banho de coerência...
Escrito por doug às 10h55
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o buraco é mais embaixo...
estou cansado de ver o coração levando a fama de centro das paixões, vontades e sentimentos humanos... onde já se viu um órgão com tantas portinholas e um mexe-remexe sem fim ser centro de alguma coisa?... assim, acometido por um estranho sentimento de justiça (saravá!), depois de proteger o folclore venho defender o esquecido intestino... para tanto, valho-me de apenas três argumentos... vamos a eles...
argumento literário: no conto brokeback mountain da escritora annie proulx, que deu origem ao filme de mesmo nome, quando um peão se despede do outro peão por quem se apaixonara o que ele faz?... põe a mão no coração e saltita lampeiro cantando “meu namorado é um sujeito ocupado”?... cola o papelzinho de ice kiss em sua agenda com os dizeres “ele é +qd+”?... óbvio que não... o tião do wyoming é acometido por uma dor visceral no baixo ventre que o dobra em dois... dor intestinal de amor...
argumento bíblico: no hebraico, a palavra rechem que designa as vísceras é muito próxima de racham cujo significado é compadecer-se... pois bem, quem compadece tem compaixão... com paixão, é impossível não sentir frenesis, dores, friozinhos (ou calorões... depende do el niño)... e onde isso se dá?... nas vísceras... racham no rechem... trocadilho que para um judeu nunca é ocasional... (aliás, ocasional para um judeu é fechar o lojinha)...
argumento esportivo: por que discriminar o futebol para-olímpico?... ao marcarem um gol, como os manetas e os cotós poderão desenhar um coração no ar?... em relação ao intestino, tal problema não existe... basta uma das mãos para traçar um rabisco imaginário, no melhor estilo zorro, e zás!... sentimento externado ao alcance de todos...
assim, sejamos honestos... o intestino, melhor do que ninguém, representa o sentimento afetivo... às vezes, grosso; às vezes, delgado... cheio de anéis... de longo percurso... purificador... o que nos leva a uma só conclusão: o amor é mesmo uma bosta!
Escrito por doug às 01h21
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mea culpa...
devo lhes confessar... eu tinha verdadeira aversão a folclore... todavia, depois de anos fugindo de folguedos e apresentações de boi-bumbá, bumba-meu-boi e bagulho no bumba, tenho que admitir... eu estava errado... sim, descobri que não só o meu lugar como o de todo brasileiro cansado do politicamente correto é no folclore... no folclore não tem meio termo... ou é ou não é... sem rodeios... deixe-me aclarar vossas mentes, pequenos aprendizes...
por exemplo, negrinho é negrinho... ou, por acaso, você já ouviu falar em afro-americaninho do pastoreio?... necas... é negrinho do pastoreio, com direito a açoite, passar a noite amarrado no formigueiro e libertação milagrosa pela santa... o negrinho, no fim do causo, leva a melhor... mas, não deixa de ser negrinho...
e a tratativa com o meio-ambiente?... outra história... crianças felizes e libertas de culpas cantam com um sorriso pimpão, de mãos dadas e em rodas infantis, que vão meter o porrete no gato... e ainda vão se lamentar... “que pena, o gato não morreu”... isso sem contar que a dona xica não reprime as crianças, nem lhes dá lição de moral, muito menos as obriga ver um documentário da wwf, aquela ong do panda gordo... apenas fica assustada com o berro (ou berrô, se preferir) que o bichano deu... ora, oras... gatos tem sete vidas... por que causar alarde, então, pelas outras seis?
isso sem dizer que o folclore faz as crianças se adaptarem mais facilmente aos seus coleguinhas especiais, de modo muito mais eficaz que qualquer programa do ministério da educação... afinal, a mula não tem cabeça, o saci não tem uma perna e o caipora é um anão de pés deformados... e viva a diversidade...
nada é melhor do que reconhecer um erro... sinto-me assim... embora algo ainda me constranja... o folclore, às vezes, é muito cruel... sambalelê, por exemplo... já não bastasse estar doente e com a cabeça quebrada, ele ainda merece uma sova?... samba, samba, samba-lêlê...
Escrito por doug às 15h01
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notícias do front...
estou voltando... deixem-me só descobrir em que gaveta escondi minha indignação...
Escrito por doug às 01h18
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contribuindo com o primeiro emprego...
descobri que a etiqueta social e a boa educação são estratégias neoliberais a serviço da burguesia empresarial... explico-lhes... você vai ao shopping e resolve comer algo (porque ir ao shopping e não comer nada é um exercício oriental de libertação desse mundo consumista... e, afinal, como não sou oriental, desejo que tomem no om todos os que o sejam)... uma ou duas voltinhas na praça de alimentação, conferência de quantas notinhas verdes vicejam na sua carteira (esqueça os dólares... pense em reais) e, finalmente, você decide se entupir de esfihas baratas, fritas ou sanduba natureba (creme de milho está bom?)... então, depois de pegar sua bandeja e devorar o “fast food-se” naquelas mesinhas apertadas e projetadas para a terra de liliput, você educadamente toma seus restos e os joga no lixo como um bom piá/guri de modos?... seu entreguista!... está a serviço do capitalismo desigual, né?... saiba que se todos nós deixássemos nossos restos sobre a mesa, entulhadamente, estorvando os próximos comensais que seriam obrigados a dar voltas e voltas à procura de um lugar minimamente limpo, enquanto praguejassem contra a administração do shopping, seria a mesma obrigada a contratar pessoas com o único e exclusivo fim de limpar as ditas mesinhas... mirem-se no meu exemplo... seja maleducado, mas com um objetivo social... ministério do trabalho e do emprego: aí vou eu!
Escrito por doug às 15h55
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olha quem está falando...
sou um pouco neurótico... ok, ok... bastante neurótico... mas, existem certas coisas que me levam à irritação de forma exponencial... na verdade, existem muitas coisas... mas, como estou voltando depois de um longo período de crise bloguística existencial, vou lembrá-los aos poucos do quão turrão sou...
margarina bastarda
você malemale acorda e resolve partir para o desjejum... uma tentativa desesperada de que seu corpo comece a funcionar pelo estômago... mas eis que, ao tirar a tampa da margarina, você se depara com riscos de geléia de morango, farelos de pão, pó de bolachas cream cracker no melhor estilo “tudo ao mesmo tempo agora”... tenho que admitir: escavo por debaixo... prefiro a erosão da manteiga a um resto de goiabada alheia no meu pãozinho matinal...
garçom sem infância
em tempos de vacas magras, uma simples ida a um buteco deve ser valorizada como uma experiência única de diversão e alegria... você quer chegar, escolher uma mesa, conversar um pouco e, é claro, brincar com o cardápio... por óbvio, você já sabe o que vai pedir ou o que é possível comer dentro de suas possibilidades, mas ler o cardápio por inteiro é tão lúdico... descobrir que o molho dijon leva mostarda e que iscas de alguma coisa não passam de tiras de carne quase transparentes são pequenos aprendizados que valem ouro... isso quando um garçom não resolve acabar com a festa e já chega intimidando: “já escolheu ou tá difícil?”...
comercial interrompido
quer conversar comigo?... ok, pode interromper o jornal nacional, o jogo de futebol do brasileirão, o arquivo confidencial, o csi, a volpato, a troiano, o netinho, mas nunca, em hipótese alguma, interrompa meu comercial favorito... comerciais são pequenos filmes de enredo e personagens interessantes com finais surpreendentes... ou pequenos seriados com inúmeras continuações... numa linguagem veloz antenada com o cinema norte-americano e o mundo globalizado pós-moderno... portanto, fale com a parede enquanto eu conto quantas vezes o velho noel vai aparecer nesses próximos três minutos, ok?
estou de volta... afinal, sou brasileiro e tenho uma nega chamada teresa...
Escrito por doug às 14h43
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" ... "
eu tinha dito que só escreveria às terças... mas, como achei o post sobre mendigos algo meio malhação, meio los hermanos – e, todos sabem: manga com leite e los hermanos com sábado não fazem muito bem – resolvi fugir à promessa... afinal, todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite... se ela não chega, você passa a mão no primeiro bagulho que encontra no domingo de manhã... mas, por favor, mesmo nas condições mais adversas sejam cuidadosos... saiam com baixinhas, gordinhas, mulheres de quarenta (uia... isso aqui tá parecendo música do roberto manco carlos) mas, por favor, lhes peço, evitem aquelas que fazem aspas com os dedos...
são mulheres que para citar paulo coelho e seu plágio de que o universo se encontra todo num grão de areia levantam os dedos médio e indicador de cada mão em forma de gancho e, com parkinson, fazem aspas... são mulheres que adoram enfatizar palavras e se esquecem de que uma certa inflexão na voz já faz isso – e lá vem os dedinhos, tal qual elianas loucas no país das exclamações... são mulheres que não percebem que a ironia verdadeira não precisa ser avisada com aspas no meio do nada – ela simplesmente é percebida com inteligência...
assim, da próxima vez que me encontrares numa festa, pode me apresentar qualquer amiga tua... até mesmo as psicólogas... mas, jamais, mulheres de aspas imaginárias...
Escrito por doug às 13h46
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minutos de sabedoria...
descia eu a avenida joão pinheiro apressadamente com destino à afonso pena... tinha que comprar um regalo no centro de cultura... afinal, quando se vai à belzonte (bem como a qualquer lugar fora de sua jurisdição), é necessário não se esquecer das lembrancinhas típicas para quem ficou à espera de seu retorno... quase dezoito horas... devo andar ainda mais rápido... na mão esquerda, estou com o “estado de minas” – jornal que conta todas as conseqüências do referendo e se o galo vai conseguir fugir do rebaixamento... vejo à frente um mendigo que se levanta e estuda minha trajetória... atravesso à rua, antevendo o pior... ele, uns vinte metros adiante, também atravessa... vou ter que passar pelo mendigo... mas não quero virar lenda urbana... perpasso o olhar procurando a melhor rota de fuga, caso precise... enquanto caminho ao acaso rumo ao ocaso... ao passar pelo mendigo, coração acelerado, eis a surpresa... “doutor, o senhor me arranjaria este jornal?”... pergunto para quê... “quero saber a quantas andam as coisas em brasília”... atônito, entrego-lhe o jornal... vejo-o abrir o caderno sobre política e começar a lê-lo ali mesmo, sentado na calçada... retomo meu passo pensativo... não sabia que mendigos de metrópole eram tão diferentes...
lembrei-me do caso por conta de um outro morador de rua... este, todavia, encontra-se radicado na província onde moro... mais especificamente, na praça em frente à minha casa... não é que dia desses ele aparece com um vira-latas atado a uma coleira?... segundo ele, o cachorro estava à espera de adoção numa pet shop... e ele resolveu tirar o pequeno cão daquela triste orfandade... porque, afinal, é possível viver pobre, mas não só...
depois, ainda querem me convencer que pensador é o gabriel...
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ficha técnica sensitiva:
doug ouve 16 toneladas – funk como le gusta
doug vê uma miniatura de ford f-100, ano 1956 na cabeceira da cama
doug saboreia em voz alta as frases que escreve para evitar cacofonias
doug com gripe alérgica (e não aviária) não sente o cheiro de nada
doug tateia... é hora de me barbear...
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that’s all, folks... (sim, ouçam subliminarmente aquela musiquinha irritante da warner brothers)
Escrito por doug às 23h52
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do you speak english?
resolvi aprender inglês... fugi o quanto pude... refugiei-me primeiro no español... mas, essa é uma língua que todos julgam falar... é um tal de poquito acá, poquito allá... resultado: me vi fodito... optei, então, pelo italiano... grande erro: línguas neolatinas são meras esquisitices em tempo de globish... passei, pois, a sentir na pele uma certa discriminação social... afinal, alguém mais carrega no carro cds de eros ramazzotti e jorge drexler?... assim, voltei a enfrentar pela terceira vez as agruras do verb to be...
seria natural se não fosse por um porém: eu odeio a língua inglesa.... odeio com todas as minhas forças e pronúncias... para começar, odeio aquela divindade... qual?... explico-lhes... afinal, se o deus dos judeu é aquele cujo nome é indizível, o fonema “th” já merece algumas orações de joelhos, votos de romaria e todo meu ódio... odeio também aquela mania dos americanos de emendarem preposições, artigos e conjunções... odeio igualmente ficar repetindo “grilled chicken with mixed vegetables” sendo que não gosto de frango grelhado com mistureba de vegetais...
assim, tenho buscado alguma motivação para aprender o dialeto ianque... por enquanto, só consegui achar dois bons argumentos... primeiro: poder rir na transmissão da cerimônia de entrega do oscar... segundo: mandar o herbert richers ao caraleo...
haveria mais algum bom motivo?
Escrito por doug às 00h09
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diga não!
por terem que se depilar, se pintar, se furar (estou pensando nas orelhas, só nas orelhas), as mulheres vivem reclamando... em suma, mulheres reclamam do fato de serem mulheres e o quanto essa condição lhes é trabalhosa... afinal, são intempéries mil para uma simples saída ao shopping... combinações de cores, batom, brincos, bolsa e mais uma série de detalhes que passam, irremediavelmente, despercebidos pelos homens... ao contrário, a vida dos varões era realmente de uma liberdade ilimitada: sem exigências sociais, sem convenções, sem parâmetros... mas, esses dias estão chegando ao fim...
estava observando uma discussão no programa do gilberto barros (eu só estava trocando de canal... juro!) sobre a underwear do homem sexy... assustado descobri que nove entre dez mulheres preferem caras que usem cuecas boxer (a uma que sobra nas estatísticas é lésbica)... acabou nosso sossego... afinal, cuecas boxer são realmente estilosas, mas nesse calor tornam-se verdadeiro suicídio... elas fazem com que tudo fique hermeticamente fechado... embalagem a vácuo... o coitado fica lá... cercado de lycra por todos os lados... preso... incomunicável como um terrorista na base norte-americana de guantánamo... não é justo...
portanto, homens, unamo-nos num grande manifesto pela cueca slip, pela tradicional zorba... saiamos às ruas exigindo o direito de usarmos aquela cuequinha velha de elástico relaxado e bordas puídas, que deixa espaço para uma leve e refrescante circulação de ar, mantendo o nosso amigo num ambiente agradável e confortável, protegido mas não preso... não vamos ceder a essas exigências femininas... se cedermos agora, elas exigirão também as cutículas, a barba feita e a tampa do vaso... o momento é decisivo... pelo direito de usar samba-canção, diga não!
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ps: provisoriamente, o semsum passará a ser atualizado semanalmente... e o dia de atualização será a terça-feira à noite... programem-se... a partir de dezembro, volto à programação normal...
Escrito por doug às 13h42
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sobre niver e doces...
semana passada, o semsum completou um ano de atividades... pensei em fazer um post sobre o assunto, mas percebi que não suportaria ler comentários previsíveis no melhor estilo: “vida longa ao semsum”, “doug é nosso guru” e “que deus lhe dê tudo para que eu não tenha que lhe dar alguma coisa”... todavia, como não posso deixar a data passar sem qualquer referência, decidi escrever sobre um assunto correlato a festas, eventos e comemorações: o brigadeiro...
a história: conta-se que um militar da força aérea brasileira, o brigadeiro eduardo gomes, logo após o fim da segunda guerra mundial, resolveu se candidatar à presidência da república... para ajudar no caixa de campanha, as eleitoras do brigadeiro boa pinta (cujo lema era “vote no brigadeiro que é bonito e é solteiro”) criaram um docinho feito de leite condensado, margarina e chocolate em pó... o candidato foi derrotado, mas o docinho venceu no primeiro turno...
o que se aprende com a história: imagine o quanto temos perdido desde que as campanhas eleitorais passaram a ser financiadas com caixa 2 no jeitinho duda mendonça de ser?... afinal, camisas com nome e foto de candidato ficam puídas, botinas ficam gastas, mas receitas de docinho... ah, estas são para todo o sempre... imagine se o sucesso das campanhas eleitorais dependessem da credibilidade dos docinhos vendidos pelas eleitoras?... no horário eleitoral, aquela fala repetitiva e modorrenta dos candidatos daria lugar a especialistas da cozinha ensinando como atingir o ponto certo da massa... ana maria braga e claudete troiano se converteriam nas melhores cabos eleitorais possíveis... segundo turno: pé de moleque versus maria mole... ou, cajuzinho versus goiabada... no dia de eleição, a lei seca nem mais seria lamentada: cerveja não combina com palha italiana... imagino candidatos estratégicos disputando o voto da minoria diabética com docinhos diet... imagino as crianças acompanhando com interesse o processo eleitoral e tendo os primeiros conhecimentos de cidadania... imagino o sr. willy wonka presidente dos estados unidos... é, meus caros... política seria um assunto que não se discutiria... ao menos, não longe de uma boa pratada de guloseimas...
conclusão: alguns podem estar estranhando essa minha defesa dos açúcares... afinal, é fato público e notório que prefiro salgados a doces... todavia, prefiro doces a politicagem... e vida longa ao brigadeiro!
Escrito por doug às 22h35
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sem desespero... estou de volta!
não obedeço a últimos desejos... afinal, o direito do morto é de ser enterrado como querem os vivos... já avisei a meus familiares próximos... velórios por mim supervisionados terão garantidos café preto, pão de queijo, cantilenas, orações repetitivas, loas, cantigas de bendição, muito choro, poema comovente, benção religiosa, lápide sem acróstico e pá de terra ao som de “se as águas do mar da vida”... nada mais do que isso... nem adianta me encomendar pagode, cerveja, músicas alegres, grupos folclóricos, rodas de capoeira... não mesmo... nada de carro alegórico, bandeira de time de futebol, jogral com crianças carentes, banda de colégio e coral de seminaristas... não, não e não... ora, se alguém quer tanto um último desejo que o realize em vida... simule um enterro, me convide e, ao fim do evento, todos brindaremos ao som de mulher brasileira na voz embriagada de benito de paula... mas, poupem-me de responsabilidades extras... essa vida já nos pesa tanto nas costas, que a carga dos mortos eu tenho deixado de lado... e tenho dito!
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ps.1: os que apostaram no enterro deste blog perderam... vocês já deviam saber que juiz comprado da fifa não apita nada por aqui...
ps.2: os comentários serão, aos poucos, devidamente respondidos... só preciso voltar à velha forma...
ps.3: e como diria roberto carlos (o jogador de futebol?... não, o cantor manco)... eu voltei e agora é pra ficar...
Escrito por doug às 23h48
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